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 Edgar Allan Poe - Parte V

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Mestre Splinter
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MensagemAssunto: Edgar Allan Poe - Parte V   Ter Nov 18, 2008 2:24 am

...parte cinco da serie... através de algumas belas imagens do nosso estimado Edgar, a Neide nos apresenta alguns toques interessantes sobre os primórdios da fotografia...
Ívol ________________
...Já sabem: visitem o Portfólio X!
...Mestre Splinter.

Para registrar a imagem do escritor através do daguerreótipo ao lado, William Pratt precisou de muita persuasão já que Poe argumentava não estar vestido adequadamente para ser retratado. Este registro foi realizado 3 semanas antes de sua morte, em 1849. Tinha 40 anos de idade.

"Em "A Queda da Casa de Usher", criou o aristocrata Ruderick Usher cuja sensibilidade era tão fina que não suportava a luz, sons altos nem tecidos comuns.
Em "O Retrato Oval", mostrou como a arte mata a vida, na história do pintor que vê definhar sua amada enquanto lhe pinta o retrato até a morte, que coincide com a última pincelada.
Em "O Coração Delator", conta a história do assassino que se entrega à polícia, enlouquecido pelas batidas cada vez mais altas do coração de sua vítima, enterrada no porão.
Em "Os Fatos no Caso do Sr. Valdemar", imagina um moribundo hipnotizado na hora do seu passamento e depois mantido num estado entre a vida e a morte pelo hipnotizador.
Em "Os Assassinatos da Rua Morgue", bolou um crime quase insolúvel praticado por um grande macaco, quando todos procuravam um criminoso humano.
Em "O Gato Preto", faz um assassino ser entregue à polícia por um gato que tinha sido emparedado junto com a vítima.
Em "O Escaravelho de Ouro", centraliza toda a história da caçada a um tesouro na decifração de um código baseado na distribuição estatística das letras da língua inglesa.
Quem era esta mente capaz de todos os horrores, mórbida, doentia, mas genial?
Quem foi Edgar Allan Poe?
Poe, sem dúvida, é o maior escritor da literatura norte-americana do século passado.
Órfão de uma família de atores, foi criado por aristocratas ricos. Cursou a Academia Militar de West Point, donde foi expulso. Jornalista, na fase heróica do jornalismo, viveu às voltas com a miséria. Casou-se com uma prima que morreu tuberculosa. Alcoólatra contumaz, tinha freqüentes ataques de delirium tremens, que retrata em "O Barril de Amontilado".
Poe é pai de três coisas sem as quais a cultura ocidental moderna não é compreensível: a história policial, a história de terror e o poema simbolista.
Poe foi o primeiro ficcionista a transformar um policial em herói, fazendo do desvendamento do crime uma peripécia intelectual. Nisso, é o pai de todos os Sherlock Holmes, Hercules Poirots, Kojaks, Columbos, Barettas, e tantos tiras infalíveis que garantem, em nossos vídeos, que o crime não compensa.

Daguerreótipo de origem desconhecido feito talvez em maio ou junho de 1849. Poe havia feito 40 anos em janeiro e sua saúde estava em declínio.

A história de terror, o terror inteligente, o terror lúcido, foi um genial truque barato que Poe inventou para manter a atenção do leitor de jornais, criatura que mal começava a existir em sua época.
Como poeta, Poe passou para a sonoridade e a música das palavras toda a força da poesia, abrindo caminho para o poema simbolista que só viria muitas décadas depois.
Considerado um escritor barato pelos contemporâneos, foi descoberto e idolatrado pelos poetas simbolistas franceses. Baudelaire traduziu-lhe todos os contos. Mallarmé, todos os poemas. Não é pouca porcaria ser idolatrado por esses dois gênios.
Poe tem que ser entendido como o primeiro escritor a sacar a Revolução Industrial. No olho do ciclone da explosão do capitalismo americano, Poe, profeta, matou no peito os ventos que vinham do futuro e incorporou o mundo industrial e a psicologia das multidões das grandes cidades, quando os escritores de sua época voltavam-se de preferência para um passado idílico. Daí, sua grandeza.

Primeiro "homo semioticus", no dizer de Décio Pignatari, Poe chegou à compreensão da língua como um código em "O Escaravelho de Ouro", a partir das caixas de tipos nas oficinas tipográficas dos jornais onde trabalhou. Nelas, viu que as letras se distribuem de modo irregular mas lógico, estatisticamente, em qualquer língua, prenunciando explorações da lingüística mais recente.
Contrariando a estética romântica que defendia a criação expontânea e "inspirada" do poema, escreveu "O Corvo", poema de elaboração, segundo ele, racional como um teorema ou um lance de xadrez, em que cada verso, cada efeito, é deliberadamente calculado para produzir um resultado. Nisso, é precursor de toda uma poética atual, como a Poesia Concreta, que coloca o acento sobre a racionalidade da construção na feitura de mensagens poéticas.
Esse gênio que morreu na sarjeta, o primeiro dos malditos, beberrão, toxicômano, excêntrico (vestia as roupas ao avesso), abriu para a imaginação espaços imensos, até então inexplorados. Foi pioneiro, como toda a sua raça que fez a saga e a tragédia do "far-west", na mesma época.
Toda a literatura dita "fantástica", Kafka, Borges, começa com ele. Poe decretou a liberdade da imaginação e da fantasia criadora.
Não pode haver título nem glória maior."

Como foi citado, as duas imagens que ilustram o texto de Leminski são daguerreótipos, procedimento conhecido como primórdio da fotografia. A seguir, acrescentei as definições e um texto interessante que encontrei sobre o primeiro impacto da fotografia sobre a sociedade.

Louis-Jacques-Mandré Daguerre (18 de novembro de 1787, Cormeilles-en-Parisi, Val-d'Oise, França † 10 de julho de 1851, Bry-sur-Marbe, França) foi um comerciante e pesquisador francês, tendo sido o primeiro a conseguir uma imagem fixa pela ação direta da luz (1835 - o daguerreótipo).
No prosseguimento dos experimentos fotográficos de Joseph Nicéphore Niépce, a descoberta decisiva coube a Louis Daguerre, que em 1835 apanhou uma placa revestida de prata sensibilizada com iodeto de prata, que apesar de exposta não apresentava sequer vestígios de imagem, guardou-a displicentemente em um armário e ao abri-lo no dia seguinte, encontrou uma imagem revelada. Fez experiências, por eliminação com os outros produtos que estavam no armário, para descobrir que a imagem latente tinha sido revelada por acção do mercúrio.
Em 1837, ele já havia padronizado o processo que ainda tinha como grandes problemas, longo tempo de exposição (15 a 30 minutos), a imagem era invertida e o contraste era muito baixo. A imagem formada na chapa, depois de revelada, continuava sensível à luz do dia e rapidamente era destruída; Daguerre solucionou este último problema ao descobrir que, mergulhando as chapas reveladas numa solução aquecida de sal de cozinha, este tinha um poder fixador, obtendo assim uma imagem inalterável.
Daguerre tinha problemas financeiros e não conseguiu obter o apoio de industriais por querer manter secreta a parte fundamental do seu processo. Em 1839, vendeu sua invenção, o daguerreótipo, ao governo Francês, tendo ficado a receber uma renda vitalícia de 6000 Francos anuais e o filho de Niépce recebia 4000.


Funcionamento de um daguerreótipo

Uma lâmina de prata é sensibilizada com vapor de iodo, formando iodeto de prata sobre a lâmina.
Expondo essa lâmina por cerca de 20 a 30 minutos na câmara escura, os cristais de iodeto de prata atingidos pela luz se transformam em prata metálica, de forma a gerar uma imagem latente (onde as regiões da lâmina mais atingidas pela luz formam mais prata metálica e as regiões pouco iluminadas quase não a formam), que pode ser revelada pelo vapor de mercúrio.
O mercúrio reage com o iodeto de prata afetado pela luz, formando uma liga brilhante nas áreas mais claras da imagem. De forma semelhante à reação da exposição do iodeto de prata, o mercúrio reagirá de forma mais intensa nas regiões da lâmina que tiverem sido mais atingidas pela luz, pois é onde se concentra a prata metálica.
Para fixação da imagem na lâmina, utiliza-se solução de hipossulfito de sódio, que solubiliza o iodeto que não reagiu e, após sua aplicação, a lâmina é lavada em água corrente.
O resultado é um positivo ricamente detalhado, em baixo relevo com infinitas tonalidades de cinza, e sua superfície é tão delicada que tem de ser protegida com um cristal e hermeticamente fechada, evitando o contato com o ar.

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MensagemAssunto: Re: Edgar Allan Poe - Parte V   Ter Nov 18, 2008 2:25 am

Fotografia, invenção do diabo!
Por Enio Leite

Nadar (auto-retrato em estúdio), para saber mais clique aqui

De todas as manifestações artísticas, a fotografia foi a primeira a surgir dentro do sistema industrial. Seu nascimento só imaginável frente à possibilidade da reprodução. Pode-se afirmar que a fotografia não poderia existir como a conhecemos, sem o advento da indústria. Buscando atingir a todos. Por meio de novos produtos culturais, ela possibilitou a maior democratização do saber.A nova invenção veio para ficar. A Europa se viu aos poucos, substituída por sua imagem fotográfica. O mundo tornou-se, assim portátil e ilustrado.O homem moderno diante desse novo cenário, não tinha mais tempo para ler. Tinha que ver para crer! Não podia mais contar com a lentidão e imperfeição das imagens produzidas artesanalmente por desenhistas e pintores de sua época.A sociedade européia levou muito tempo para compreender o real valor da produção fotográfica.
Em 19 de agosto de 1839, a Academia Francesa mal anunciava publicamente a invenção do Daguerreótipo e seu domínio público em território francês para pintor Paul Delaroche viesse a declarar enfaticamente: "De hoje em diante, a pintura está morta".Nos círculos mais conservadores e nos meios religiosos da sociedade, "a invenção foi chamada de blasfêmia, e Daguerre era condecorado com o título de "Idiota dos Idiotas''".
O pintor Ingres, ainda que utilizasse os daguerreótipos de Nadar para executar seus retratos, menosprezava a fotografia, como sendo apenas um produto industrial, e confidenciava: "a fotografia é melhor do que o desenho, mas não é preciso dizê-lo".


Baudelaire por Nadar, 1855

Baudelaire, um dos mais expressivos representantes da cultura francesa, negava publicamente a fotografia como forma de expressão artística, alegando que "a fotografia não passa de refúgio de todos os pintores frustrados", e, sarcasticamente, celebrava a fotografia "como uma arte absoluta, um Deus vingativo que realiza o desejo do povo... e Daguerre foi seu Messias"... "Uma loucura, um fanatismo se apoderou destes novos adoradores do sol!".Com estas declarações, Baudelaire refletia o impacto causado pela fotografia na intelectualidade européia da época".
Um artigo publicado no jornal alemão Leipziger Stadtanzeiger, ainda na última semana de agosto de 1839, ajuda a compreender melhor este confronto:"Deus criou o homem à sua imagem e a máquina construída pelo homem não pode fixar a imagem de Deus. É impossível que Deus tenha abandonado seus princípios e permitido a um francês dar ao mundo uma invenção do Diabo"(Leipziger Stadtanzeiger,26.08.1839,p.1)
A nova concepção da realidade conturbou o mundo cultural e artístico europeu. Como entender que a fotografia viesse para ficar, a não ser em substituição das tradicionais formas de representação? Já se havia gasto vãs sutilezas em decidir se a fotografia era ou não arte, mas preliminarmente, ainda não se perguntara se esta descoberta não transformava a natureza geral da arte.
Numa época em que as artes plásticas, o teatro e a literatura passavam por uma série de mudanças com proclamações e manifestos de diferentes "ismos", nasceram novas perspectivas na linguagem fotográfica. Influenciado em uma parte, pelas tomadas de posição, e em outra parte por estar a fotografia passando por um hiato, com a maioria dos profissionais se repetindo dentro dos mesmos moldes, sobretudo de ordem estética. E, por outro lado, também para conquistar determinado prestígio social, já que a sua presença na época não era vista com bons olhos.


"Two Standing Nudes", daguerreótipo de Félix-Jacques-Antoine Moulin, 1850

Também outros fotógrafos não se conformavam em ver a fotografia "apenas como mero instrumento" para registrar a realidade.Como não se poderia obter os resultados desejados pela simples aplicação dos processos tradicionais, começam a se desenvolver, novas técnicas baseadas numa grande variedade de recursos, principalmente químicos, novas técnicas de enquadramento e iluminação.
A fotografia vai aos poucos perdendo seu poder de "cópia do real" para ser mais subjetiva, intimista, interpretativa, valorizando o discurso de seu próprio autor. As objetivas, por outro lado, foram reestudadas, com o intuito de se obter uma melhor qualidade de imagem e uma focalização mais suave.A fotografia trouxe consigo a aura da veracidade e seu surgimento contribuiu diretamente para que todos os segmentos artísticos, literários e intelectuais passassem por uma profunda reflexão, evidenciando um dado importante que até aquele momento permanecera intacto: "A concepção que o homem tinha de si próprio".

A partir do advento da fotografia, o mundo deixava de ser o mesmo...

.
Fontes:
..
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