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 Aldous Huxley e o Admirável Mundo Novo

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MensagemAssunto: Aldous Huxley e o Admirável Mundo Novo   Ter Dez 16, 2008 5:18 am

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http://www.zshare.net/download/52808420f17574fd/





Vejam esta relíquia , um vinil de uma transmissão de 1956, na qual o próprio Aldous Huxley narra sua obra “Brave New World” (Admiravel Mundo Novo), com a participação do magnífico Bernard Herrmann (quem curte os filmes do Alfred Hitchcock conhece bem o seu trabalho, nas trilhas sonoras). apanhando



“Um estado totalitário verdadeiramente «eficiente» será aquele em que o todo-poderoso comitê executivo dos chefes políticos e o seu exército de diretores terá o controle de uma população de escravos que será inútil constranger, pois todos eles terão amor à sua servidão.”

Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa) é um livro escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932 que narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. A sociedade desse "futuro" criado por Huxley não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe.

O personagem Bernard Marx sente-se insatisfeito com o mundo onde vive, em parte porque é fisicamente diferente dos integrantes da sua casta. Num reduto onde vivem pessoas dentro dos moldes do passado (uma espécie de "reserva histórica" - semelhante às atuais reservas indígenas - onde preservam-se os costumes "selvagens" do passado (que corresponde à época em que o livro foi escrito), Bernard encontra uma mulher oriunda da civilização e o filho dela, John. Bernard vê uma possibilidade de conquista de respeito social pela apresentação de John como um exemplar dos selvagens à sociedade civilizada.
O livro desenvolve-se a partir do contraponto entre esta hipotética civilização ultra-estruturada (com o fim de obter a felicidade de todos os seus membros, qualquer que seja a sua posição social) e as impressões humanas e sensíveis do "selvagem" John que, visto como algo aberrante, cria um fascínio estranho entre os habitantes do "Admirável Mundo Novo".
Aldous Huxley escreveu, mais tarde, outro livro, chamado Retorno ao Admirável Mundo Novo, sobre o assunto: um ensaio onde demonstrava que muitas das "profecias" do seu romance estavam a ser realizadas graças ao "progresso" científico, no que diz respeito à manipulação da vontade de seres humanos.

COMUNIDADE, IDENTIDADE E ESTABILIDADE. Assim começa o livro de Aldous Huxley, deixando bem claro em seu início todo o processo de criação e manutenção da sociedade daquela época. O livro se passa em 632 d.F. , uma época em que não haviam mais problemas, porque todos eram literalmente condicionados a pensar e viver. O modo de ser, de pensar, de agir, sentir, comportar-se foram sendo substituídos, as experiências pessoais foram dando lugar às experiências coletivas e houve um esmagamento da subjetividade: pensar era agora uma predeterminação social. Em seu inicio o livro descreve o processo de bokanosvskização,
“consiste essencialmente numa série de interrupções do desenvolvimento. Nós detemos o crescimento normal e, paradoxalmente, o ovo reage germinando em múltiplos brotos.”
Entre frascos, material genético, divisão de brotos, gêmeos idênticos, dezenas, vintenas, percebemos que esse processo é simplesmente um dos principais instrumentos de estabilidade social, mas o maior ganho desse processo não era a quantidade de gêmeos produzidos, mas que poderiam ser controlados os atributos físicos e mentais por meio da manipulação genética.
Então somos levados a Sala de Predestinação Social, onde aqueles embriões tantas vezes divididos eram determinados e divididos entre alfas, gamas, betas, deltas e ípsilons, o que corresponderia hoje às classes sociais. E quanto mais baixa era a casta, menos oxigênio era dado. O primeiro órgão afetado era o cérebro, em seguida o esqueleto. Pessoas pequenas, sem capacidade mental, nunca arquitetariam qualquer tipo de revolução social ou sequer sabiam o que era isso. O processo todo também tinha outro objetivo

“E esse – interveio sentenciosamente o Diretor – É o segredo da felicidade e da virtude: amarmos aquilo que somos obrigados a fazer. Tal é a finalidade de todo o condicionamento: fazer as pessoas amarem o destino social de que não podem escapar.”

Até que ponto amar isso tudo era correto? Mas nessa sociedade não havia o errado. O domínio de suas capacidades mental era sem sombra de dúvida, inexistente. Porque não havia o que dominar. O condicionamento era responsável por determinar o que devemos fazer, como pensar, o que vestir, como e porque agir. O condicionamento.
A hipnopedia dava aos habitantes as diretrizes necessárias para que a sociedade caminhasse a passos pré-determinados. Esse condicionamento fazia, por meio de inúmeras repetições, com que não houvesse descontentamento social. As castas era pré-programadas a “achar melhor” viver em sua casta a fazer o papel de outra.
“– Estabilidade – disse o Administrador – Estabilidade. Não há civilização sem estabilidade social. Não há estabilidade social sem estabilidade individual.”

Essa tão almejada estabilidade também se apresentava na economia. Uma sociedade como aquela, cheia de regras, diretrizes e necessidades não se podia deixar controlar por simples leis de mercado (como a de oferta e procura, por exemplo).

“Mais vale dar fim que consertar. Quanto mais se remenda, menos se aproveita.”

Comprar, comprar e nunca deixar de comprar. Assim era ensinado as pessoas. Comprar era uma satisfação geral. Do outro lado estavam os produtores. Pessoas e máquinas se confundiam na linha de montagem das grandes indústrias. Cada pessoa é especializada como uma formiga, cada um exerce sua função, vivendo unicamente para exercê-la, tendo sido condicionado a gostar disso. Essa era a educação, ela se chamava condicionamento.

“As pessoas crêem em Deus porque foram condicionadas para crer em Deus.”

A educação no futuro criado por Huxley era desprovida de ética religiosa, de valores como a família (a palavra “família”, “mãe” e “pai” eram tidas como obscenas), e a completa ausência de valores morais presentes na sociedade atual. E nesse ponto, entram os questionamentos de Bernard Marx, que não se aprofundam tanto devido ao seu condicionamento, mas que são um sinal de que mesmo o homem desse “futuro” ainda possui instintos e algum domínio sobre suas habilidades e capacidades mentais .
Distraíam-se com o tão almejado soma, uma espécie de droga entorpecente que os desconectava da realidade e os deixava permanentemente felizes. O soma era em si, o caminho mais fácil a seguir quando houvesse qualquer tipo de comportamento que não fosse prejudicial ao desenvolvimento como cidadão.
Mas em algum lugar, não muito longe dali, havia uma reserva de selvagens. Pessoas que ainda possuíam algumas características de nossa sociedade atual, como casamento, filhos (“hábitos repugnantes”), o Cristianismo, o totemismo, o culto dos antepassados, moléstias contagiosas e cujos sentimentos e emoções podem ser sentidos e vividos “incondicionalmente”.
Aí surge a figura do selvagem, que não pertence à sociedade em questão e que nutre um sentimento puro por Lenina, visto como uma afronta aos padrões da época e como uma aberração.
Tendo seu conhecimento sido basicamente da leitura das obras Shakesperianas, o selvagem possui uma vontade que lhe é intrínseco, a de conhecer e experimentar as sensações que William Shakespeare descreve com tanta perfeição e com tanto sentimento. Mas seus planos são “destruídos” quando chega à cidade e se depara com milhares de pessoas idênticas, pessoas trajando cáqui, outras verde, e percebe a triste ausência de emoções e sentimentos.

- “Oh, admirável mundo novo!”

John, o selvagem, apaixona-se por Lenina e sua atração causa-lhe sentimentos não percebidos anteriormente. Mas sua decepção vem logo em seguida ao perceber que o condicionamento às estruturas leva a Srta. Crowne à promiscuidade. Sua revolta é instantânea.
A essa decepção, John une a dor da perda de sua mãe e seus valores e origens são mais uma vez questionados por si mesmo. Refugiando-se nas palavras de Helmholtz, o selvagem busca respostas, embora elas sejam incrivelmente difíceis de encontrar.

“Uma das principais funções de um amigo é suportar (sob forma atenuada e simbólica) os castigos que nós gostaríamos, mas não temos possibilidades, de infligir aos nossos inimigos.”

Em busca de tantas respostas, John, acompanhado de Helmholtz e de Bernard, vê-se sentado a frente do diretor e travando um diálogo sincero e esclarecedor: a eles é explicado que a conduta deve seguir certos parâmetros para que se mantenha estabilidade. A subjetividade que ocasionaria certamente uma crise social, era tida como mudança e

“Toda mudança é uma ameaça à estabilidade.”

Mas John questionava: Todo esse condicionamento, todas essas regras lhe embrulhavam o estômago. Tudo isso em busca da felicidade. Mas por quê? Porque tudo isso? A felicidade realmente precisava ser comprada assim? Conceituava-se felicidade como um condicionamento fiel a tudo o que era pré-determinado pelas castas superiores e pela “Sua Fordeza”, seguir regras significava ser feliz.

“As pessoas são felizes, tem o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não tem medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e mães; não tem esposas; nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem.”

Seguindo as teorias de John Locke, a sociedade em questão levava a sério o fato de que o homem é uma “folha em branco” a ser escrita ao longo da vida, a teoria da tabula rasa, e sobre essa teoria firmara-se todo o processo que levava as pessoas a seguirem regras e parâmetros, baseado no que lhes fora previamente ensinado. E assim, eram “felizes”.

“A felicidade nunca é grandiosa.”

Essa foraclusão era tão imperceptível que as pessoas quando tentavam dar-se conta da realidade, viam que estavam mergulhadas e que não haveria saída.

“A felicidade é uma soberana exigente, sobretudo a felicidade dos outros. Uma soberana muito mais exigente do que a verdade, quando não se está condicionado para aceita-la sem restrições.”

Por fim. A Bernard e a Helmholtz restaram uma nova vida, um novo começo em uma sociedade longe dali.

“ - ... é bem o modo de os senhores procederem. Livrar-se de tudo o que é desagradável, em vez de aprender a suportá-lo. Se é mais nobre para a alma sofrer os golpes de funda e as flechas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um oceano de desgraças e, fazendo-lhes frente, destruí-las, mas os senhores não fazem nem uma coisa nem outra. Não sofrem e não enfrentam. Suprimem, simplesmente, as pedras e as flechas. É fácil demais.”

Ao selvagem, servir como experiência. Mas isso não era o destino que havia traçado a si mesmo. Não. John queria ser feliz.

“A felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensações do sofrimento.”

Assim termina o livro de Aldous Huxley, mostrando que nenhum sofrimento e nenhuma mudança podem afetar o sistema, ninguém ousaria tentar, ninguém permitiria que tentassem. O lema do Estado Mundial deve ser seguido à risca: COMUNIDADE, IDENTIDADE E ESTABILIDADE.

Por Wikipedia

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MensagemAssunto: Re: Aldous Huxley e o Admirável Mundo Novo   Ter Dez 16, 2008 5:29 am

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Aldous Huxley e a Liberdade

“Os cidadãos trabalham felizes. Bem condicionados, mantêm a produção. Há aqueles que planejam, outros que administram e a grande maioria que executa. Suas funções na sociedade são definidas muito antes do berço, desde a concepção. São todos produto de tecnologia genética, gerados em laboratórios. Todos tomam Soma.
À margem, isolados e confinados, os “selvagens”. Destino dos filhos nascidos de modo natural e dos cidadãos “fracassados”, mesmo após os mais intensos programas de condicionamento. Desviantes de uma Admirável Mundo Novo tão minuciosamente ordenado. Da escola, do trabalho, da diversão. Que divide coerentemente a história entre antes e depois de Ford.
A química da ordem: uma euforia condicionada. A propaganda, desenvolvida por cidadãos de primeira classe, reproduz programas estabelecidos e dita novas tendências. Ela atinge um grande público pouco propenso a pensar. A todos administra-se sua dose de Soma. Fonte de prazer, elevado a valor moral, verdadeiro culto. “A promiscuidade é dever do cidadão”. A satisfação do ego suprime a emergência de sentimentos como solidariedade e amor.
Distopia revisitada por Aldous Huxley numa série de reflexões sobre o conhecimento, a educação e a liberdade. A linguagem nos convida a um determinado universo de percepções. Abstraímos as palavras daquelas realidades que elas designam e as elevamos a verdades. A propaganda é um entre diversos artifícios de manipulação das palavras. Tampouco escapam as ciências acadêmicas. Julgamos conhecer o real quando conhecemos por meio da linguagem.
Nem por isso somos simples produtos do meio, como preconizaram Spencer, Pavlov ou Skinner. Somos únicos. Agimos e reagimos de maneira diferente a todas as formas de condicionamento derivados da linguagem. O Grande Governo e o Alto Negócio dominam muitas das técnicas de manipulação do espírito daquele Admirável Mundo Novo. Seus dirigentes tentarão impor a uniformidade social e cultural. Devemos começar a educar-nos e a nossos filhos para a liberdade e o autogoverno: condições e conseqüências do exercício do amor e da inteligência.
Somos únicos, mas não originais. Durante séculos fomos amparados por nossos instrutores, autoridades, livros e santos. Krishnamurti nos convida a livrar-nos da armadilha da respeitabilidade. Cessar nosso buscar. A simplesmente agir por amor e liberdade. Cada um de nós é responsável pelo que se nos apresenta. A sociedade somos nós.
Nos dizeres de Goethe “deveríamos falar menos e desenhar mais”. A percepção direta dos visionários encanta Huxley. São as Portas na Muralha, nas frases de Wells. Para abrir essas portas, Huxley voluntariou-se a uma experiência com a mescalina, derivada de um velho conhecido amigo dos nativos do Grande México, o peiote. Para a botânica, o Anhalonium Leurinii. Istigkeit. A contemplação da existência que une toda diversidade. A iluminação de Sidarta Gautama. Há sentido além da razão, da escravidão dos conceitos. As cores têm nuances indescritíveis, e a linguagem é outra coisa que a experiência. A emoção e as impressões podem assumir maior importância que o tempo e o espaço. A forma como julgamos ver o peculiar e o todo é condicionada. Não os atingimos em plenitude. A serena luz do vazio da qual foge a alma apavorada no Livro Tibetano dos Mortos.
No poema do visionário William Blake: “Se pudéssemos desobstruir as portas da percepção, tudo se revelaria ao homem tal qual é: infinito. (Coletivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos, Niterói. Agosto de 2004 )


“Estava eu sentado, perto do mar, a ouvir com pouca atenção um amigo meu que falava arrebatadamente de um assunto qualquer, que me era apenas fastidioso. Sem ter consciência disso, pus-me a olhar para uma pequena quantidade de areia que entretanto apanhara com a mão; de súbito vi a beleza requintada de cada um daqueles pequenos grãos; apercebia-me de que cada pequena partícula, em vez de ser desinteressante, era feito de acordo com um padrão geométrico perfeito, com ângulos bem definidos, cada um deles dardejando uma luz intensa; cada um daqueles pequenos cristais tinha o brilho de um arco-íris... Os raios atravessavam-se uns aos outros, constituindo pequenos padrões, duma beleza tal que me deixava sem respiração... Foi então que, subitamente, a minha consciência como que se iluminou por dentro e percebi, duma forma viva, que todo o universo é feito de partículas de material, partículas que por mais desinteressantes ou desprovidas de vida que possam parecer, nunca deixam de estar carregadas daquela beleza intensa e vital. Durante um segundo ou dois, o mundo pareceu-me uma chama de glória. E uma vez extinta essa chama, ficou-me qualquer coisa que nunca mais esqueci que me faz pensar constantemente na beleza que encerra cada um dos mais ínfimos fragmentos de matéria à nossa volta.”


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