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 Van Gogh – Cartas a Théo I

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MensagemAssunto: Van Gogh – Cartas a Théo I   Seg Dez 22, 2008 4:03 am

Os quadros de Van Gogh hoje são arrematados por milhões e milhões de dólares...mas em quais condições o artista imprimia sua alma às telas?
Estas cartas mostram toda a situação de necessidade que Van Gogh vivia, muitas vezes precisando escolher entre comer ou comprar tintas. É fortissimo observar através dessas narrativas como toda a incompreensão presente em volta aliada às lutas interiores o vão conduzindo gradativamente ao seu objetivo final...
Quando criei esta série, resolvi deixar as primeiras partes como uma introdução ilustrada à sua vida, e, aos poucos fui inserindo as cartas...quero aproveitar a ocasião para agradecer à todos do Fórum, em especial ao meu querido Mestre Splinter e ao Brankinho, por essa iniciativa e espaço tão bacanas, onde a gente que é amante de Arte pega um gosto muito maior pelo ato de postar. Aqui sim, podemos deixar as imagens gigantes e bonitas....no Blogger nunca consegui deixar as imagens desse jeito, me dava uma frustração del carajo...




Introdução do livro
Hoje Van Gogh é cultuado. Mas, enquanto vivo, esse pintor de sóis silenciosos e girassóis de ouro vendeu apenas um quadro. Nas cartas ao irmão Théo, todo o relato de seu desespero.

No Brabante Holandês, algumas léguas ao sul de Bréda, a aldeia de Groot Zundert agrupa umas poucas casas. A região é levemente ondulada, entremeada de pântanos, atravessada por riachos, banhada por charcos. Ao redor, erguem-se árvores mirradas com troncos retorcidos. Não longe fica a fronteira com a Bélgica. Na direção nordeste situa-se Etten. A leste, depois de Bréda, fica Nuenen. Zundert, Etten, Nuenen, estas pequenas aldeias cujos nomes reaparecerão tantas vezes nestas Cartas, são os limites da região natal de Van Gogh.



Seu pai, Theodore van Gogh


Sua mãe, Anna Cornelia
É em Groot Zundert que ele nasce, em 30 de março de 1853 (signo de Áries). Seu pai, Theodore Van Gogh, era pastor; sua mãe, Anna –Cornelia Carbentus, era filha de um encadernador da corte. Família honrada e antiga: já nos séculos XVI e XVII , os Van Gogh eram eminentes burgueses. Muitos tinham o gosto pelas artes. No século XVIII encontramos em Haia alguns Van Gogh exercendo o nobre ofício de tirador de ouro. Outros tornaram-se comerciantes de quadros.


Seus Irmãos:


Theo (o alvo das cartas)



Willemina



Anna Cornelia



Elizabeth



Cornelius
Vincent era o primogênito de uma família com 6 filhos. Bem jovem, ele demonstra um extraordinário interesse por tudo que o cerca, especialmente pela natureza. Dono de um caráter pouco sociável, vagueia solitário pelos campos. Nem Anne, nem Elisabeth, nem Wil e menos ainda seu irmãozinho Cor o acompanham. Entretanto ele às vezes – e cada vez mais – leva consigo Theodore, que tem 4 anos a menos que ele. Theodore, o “Théo”, já é o amigo e confidente.



O menino Van Gogh (fotos tiradas entre 1866-1868)



Aqui, com 13 anos
Quando completa 12 anos é internado no colégio da pequena cidade vizinha de Zevenbergen, retornando para casa somente nas férias de verão. Passam-se quatro anos sem que nada de excepcional aconteça em sua vida. Tudo começa aos 16 anos, em julho de 1869, graças ao tio Vincent – um antigo negociante de objetos de arte que gozava em Princehage de sua plácida aposentadoria -, o diretor da sucursal em Haia da prestigiosa Casa Goupil, importante galeria de arte da Europa, emprega o futuro pintor. Como vários Van Gogh do passado, ei-lo no comércio de quadros . É um empregado modelo: correto, consciencioso. Pouco a pouco, vai formando suas opiniões. De Haia é enviado, sempre pela Casa Goupil, a Bruxelas. Cada vez mais ele se interessa por tudo que vê, e freqüenta os museus reais. Lê muito – tudo o que lhe cai nas mãos, um hábito que ele manteria por toda a vida, mesmo nos tempos mais tumultuados em Arles.



Galho de Amêndoa Florescendo num copo com um livro– início de Março 1888
(tela do período de Arles)
Um dia, em agosto de 1872, Vincent vai ao encontro de seu irmão em Oosterwyck, perto de Helvoirt, pequena aldeia à qual seu pai fora chamado. Théo está então com 15 anos; mas já tem o espírito muito aberto e precocemente formado. Vincent descobre no irmãozinho quase um homem feito. A partir de sua volta começa a escrever-lhe. E é então que inicia esta correspondência que irá, sem interrupções, durar até sua morte – e da qual talvez sequer uma linha tenha-se perdido.
Em janeiro de 1873 é a vez de Théo começar a sua vida. Isto deixa seus pais preocupados, mas a família é numerosa e pobre. Um pensamento consola um pouco a sofrida mãe: Théo já é bem maduro para seus quinze anos. É dotado de muito boa vontade e bastante prudência. Ele parte para Bruxelas para também trabalhar na Casa Goupil. Mais um laço entre os dois irmãos: o paralelismo de seus destinos.
Em maio, Vincent é enviado para a sucursal de Londres. Acaba de completar vinte anos.
Lá, leva uma vida absolutamente tranqüila. As horas do dia são preenchidas com as mesmas ocupações, mas os dois irmãos estão distantes. Para ir ao escritório Vincent se apressa, mas volta vagueando. Na Inglaterra, ele tem mais tempo ao seu dispor do que na Holanda. Tem livres não apenas os domingos, mas também os sábados à tarde: a semana inglesa. E, sem percebê-lo, sem dar-se conta, sua vocação nascera e começa a se desenvolver. Ele se detêm para desenhar à beira do Tâmisa não apenas uma vez, mas centenas...e fica triste, ao voltar para casa e perceber que os desenhos não se assemelham a nada.


O jovem Van Gogh, aos 19 anos
Em julho de 1874 retorna para a Holanda. O pastor vê chegar um Vincent sombrio e atormentado: ele está apaixonado. A sra. Loyer, que dirige a pensão onde ele vive, tem uma filha, Ursula, pela qual Vincent apaixona-se. Ela se deixa cortejar, ele a pede em casamento e é repelido. Fica decepcionado, magoado, profundamente ferido. Contudo, durante estas poucas semanas que passa em Helvoirt, desenha bastante. Em meados de julho, volta a partir com sua irmã mais velha. Mas sente-se infeliz em Londres. Em outubro, por intervenção do tio de Princehage, é chamado a Paris.


Tio Vincent, de Princehage
Em dezembro, algumas semanas após sua chegada, volta bruscamente a Londres – em vão, pois não reencontra Ursula – e retorna a Paris. Sente-se desamparado, inquieto . Que fazer? Ele não sabe muito bem, e se pergunta sobre uma infinidade de coisas para as quais não tem resposta; perde-se em conjeturas. Um fato contudo parece-lhe evidente: a mediocridade de sua situação presente, e a certeza de um futuro também medíocre. Um pensamento de Renan o impressiona e o invade:
“Esquecer-se de si, realizar grandes coisas, atingir a generosidade, e ultrapassar a vulgaridade na qual se arrasta a existência de quase todos os indivíduos...”
Passam-se as semanas, chega o Natal, termina o ano. Ele não aguenta mais e foge para a Holanda – para voltar pouco depois e retornar bruscamente, em fins de março, para Etten. Em Paris, a Casa Goupil resolve despedir este empregado outrora exemplar e que se tornara detestável.
Bem que o pastor nota a mudança em suas idéias. Na verdade, Vincent quer ser um pintor. Mas é preciso ganhar a vida. A partir de um anúncio, entra como professor numa escola em Ramsgate, na Inglaterra. Chega lá em meados de abril. Em julho acompanha a escola, transferida para Isle Worth.
Está cada vez mais preocupado. Que fazer? Dedicar-se à pintura? Mas isso não seria uma loucura?

pp 07 a 10
Os textos desta série vêm daqui:

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http://enochhaym.blogspot.com
 
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