InícioBlogPortalFAQBuscarRegistrar-seConectar-se

Compartilhe | 
 

 Van Gogh – Cartas a Théo V

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
Neide
Socio do fórum
Socio do fórum
avatar

Número de Mensagens : 203
Idade : 41
Localização : Santos - SP
Reputação : 0
Pontos : 3367
Data de inscrição : 04/08/2008

MensagemAssunto: Van Gogh – Cartas a Théo V   Seg Dez 22, 2008 11:40 pm



Óleo - Auto-Retrato (Saint-Rémy, agosto 1889)
O asilo de Saint-Paul de Mausole, em Saint-Rémy, bem próximo ao Arco do Triunfo e ao mausoléu, que estão entre os mais belos monumentos romanos da França, é um antigo monastério (lar dos monges). Uma ala de pinheiros anuncia sua entrada. Nos pavilhões, imensos, um médico, o doutor Mercúrio, tinha instalado no começo do século XIX uma casa de saúde.



Óleo – Montanhas em Saint-Rémy com casa de campo escura (Saint Rémy, julho de 1889)



Óleo – O jardim do Hospital Saint-Paul (Saint-Rémy maio 1889)



Óleo – Campo de trigo verde com ciprestes (Saint-Rémy, setembro 1889)
Para quem visita o asilo de Saint-Rémy, nada parece ter mudado desde a época de Van Gogh. Na grande ala norte, ao longo de um corredor, seguem-se vários quartinhos. Quase no meio está aquele que Vincent habitou, e cujas paredes estão ornamentadas com reproduções das obras pintadas por ele em Saint-Rémy.




Óleo - O quarto (Saint Rémy, setembro 1889)
Pela janela aberta (pela qual, após um salto, chegamos em plena campina) avistam-se, bem próximas, as abruptas enconstas das Alpilles; em frente, terras cultivadas e árvores. À esquerda, um muro, além do qual adivinha-se a cidadezinha. No fim desta ala, no andar de cima, foram cedidas duas peças a Vincent, nas quais ele fez seu ateliê. Lá de cima, a vista é extensa, ao longe surge Avignon e os picos dos Alpes.
Vincent passa momentos de dor, de desespero, de melancolia, de calma – e contudo não pára de pintar. De certas frases de suas cartas, pode-se imaginar o quanto ele sofreu com os incessantes berros de seus infelizes companheiros. Mas talvez jamais tenha pintado melhor, com mais sensibilidade, com mais intensidade do que em Saint-Rémy.




Óleo – Prisioneiros exercitando (após Doré) (Saint-Rémy fevereiro 1890)



Óleo – Velho homem em tristeza (no limiar da eternidade) (Saint-Rémy abril-maio 1890)
Ele próprio traduz à sua maneira os dois estados entre os quais oscila sua razão – a ansiedade e a calma – ao descrever duas pinturas a Émile Bernard.: “Esta combinação, de ocre vermelho, de verde entristecido pelo cinza, de traços negros que cercam os contornos, produz um pouco a mesma sensação de angústia de que freqüentemente sofrem alguns de nossos companheiros de infortúnio, e que chamamos de “negro-vermelho”.



Óleo – Alpendre de madeira (Saint-Rémy, dezembro 1889)



Óleo – Campo de trigo com ciprestes (Saint Rémy, setembro 1889)

E o tema da grande árvore atingida pelo raio, o sorriso doentio verde-rosa da última flor de outono vêm confirmar esta idéia.


Óleo – Rosas e besouro (Saint Rémy, abril-maio 1890)



Óleo – Rosas Selvagens (Saint-Rémy, abril-maio 1890)


Óleo – Papoulas e Borboletas (Saint-Rémy abril-maio 1890)
“Uma outra tela representa um sol nascendo sobre um campo de trigo novo: linhas fugidias, sulcos subindo ao alto da tela, contra uma muralha e uma fileira de colinas lilás. O campo é violeta e amarelo-esverdeado. O sol branco é cercado por uma grande auréola amarela. Nisto tudo eu tentei, por contraste com a outra tela, exprimir a calma, uma grande paz...”



Óleo – Campo cercado com sol nascente (Saint Remy, dezembro 1889)



Óleo – Campo de trigo primaveril ao nascer do sol (Saint-Remy maio-junho 1889)

Em janeiro de 1890, no Mercure de France, um crítico, Albert Aurier, assinala sua pintura: é a primeira vez que a notam. Vincent se regozijam. No mês seguinte, Théo lhe escreve dizendo ter vendido seu quadro O Vinhedo Vermelho. Primeiro, e único, quadro vendido antes da sua morte.




Óleo – O vinhedo vermelho (Arles, novembro 1888)
Mas ele quer partir. Théo passa a procurar um abrigo seguro. Pissarro lhe comunica que em Auvers-sur-Oise mora um amigo dos artistas, o doutor Paul-Ferdinand Gachet, colecionador de Cézanne, Pissarro, Guillemin, entre outros pintores. Vincent ficaria bem junto dele. Em 18 de maio de 1890, Vincent deixa Saint-Rémy.
Em Paris, ele fica feliz em reencontrar Théo, sua mulher e sua filhinha, pois Théo se casara um ano antes. Revê seus quadros (que estão em toda parte, até debaixo dos móveis); sente prazer em apertar a mão dos amigos que vêm visitá-lo. Está apenas de passagem. No dia 21 de maio já está instalado em Auvers como pensionista do Café Ravoux, na praça da Prefeitura.
Novamente tudo pode ser encontrado nas Cartas que se seguem: seu trabalho, seus passeios pelo campo, sua crescente afeição pelo doutor Gachet (várias vezes retratado por Vincent), seu humor inconstante, sua melancolia...


Óleo – Retrato do Doutor Gachet (Auvers-Sur-Oise, junho 1890)
Em 27 de julho, tomado pela angústia da crise que ele sente aproximar-se, dispara uma bala no coração. Estava nos trigais, atirando nos corvos, quando decide dar fim a própria vida. Mas o tiro se desvia: a bala se aloja na virilha. Ele encontra forças para voltar para casa e não avisa ninguém. Não o vendo descer para o almoço, o pessoal da pensão onde estava hospedado sob a vista do Dr. Gachet vai procurá-lo em seu quarto. Ele está prostrado, sangrando. O Dr. Gachet chega imediatamente e constata que é impossível tirar a bala. Vincent recusa-se a dar o endereço de Théo, que somente é avisado no dia seguinte. Imediatamente Théo vai para Auvers-sur-Oise e encontra o irmão fumando cachimbo aparentemente tranqüilo. Théo não se conforma com a possibilidade da morte do irmão, já muito fraco. Mas não há mais o que fazer, Vincent está determinado a morrer. Conversa o dia inteiro em holandês com Théo, que à noite deita-se ao lado dele. A uma e meia da manhã, Vincent murmura: “Quero ir embora”, e morre.

A seguir, um dos últimos trabalhos de Vincent feito pouco tempo antes de sua morte.



Óleo – Campo de trigo com corvos (Auvers-Sur-Oise, julho 1890)
Uma carta, que é só dúvidas e desespero, é encontrada com ele. A última carta a Théo, que só lhe chegou às mãos depois da morte de Vincent.
Théo não pôde suportar a dor. Atingido por uma parilisia, transportado para a Holanda sob os cuidados de sua mulher, ele morreria alguns meses mais tarde, em janeiro de 1891.
Os irmãos cuja amizade tornou-se legendária repousam lado a lado em Auvers-sur-Oise.




Óleo – Noite Estrelada (Saint-Rémy junho 1889)
Quase 100 anos depois da sua morte, em 1990, ironicamente Vincent Van Gogh foi o protagonista do maior negócio jamais realizado no mercado internacional de arte. Um dos “retratos do Dr. Gachet” foi vendido pela Christie’s (uma das mais poderosas casas de leilões do mundo) por 82,5 milhões de dólares para o empresário japonês Ryoei Saito. O empresário foi preso em 1993, acusado de corrupção, e morreu em 1996. O quadro desapareceu. Diz a lenda (ou realidade) que a pintura foi cremada junto com seu proprietário...

Fim da introdução
.
Voltar ao Topo Ir em baixo
http://enochhaym.blogspot.com
 
Van Gogh – Cartas a Théo V
Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» A Vida nas Cartas - O Dilema
» Cartas da Alma
» Cards Saint Seiya
» Diorama - A Destilaria.
» #002 - Pescando a primeira carta!

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Agora é Rock! :: Leitura :: Outros-
Ir para: